16 setembro 2005

A revolução silenciosa...

Jornal O Povo, 07 de setembro de 2005

A revolução silenciosa

MARCOS VIEIRA, Sociólogo, Assessor do Titular da Secretaria Executiva Regional III (SER III)
Freqüentemente, o trabalho dos gestores de estados e municípios é medido pela quantidade de concreto que se ergue aos olhos da população. Asfalto, prédios e viadutos são apontados como indicadores de uma gestão bem-sucedida. Mesmo que tais obras, muitas vezes, destoem das expectativas e das necessidades dos cidadãos e cidadãs.
Quando me perguntam o que tem feito a administração municipal de Fortaleza nestes primeiros meses de nova gestão, costumo responder que uma revolução silenciosa está em andamento nesta cidade. Silenciosa porque, talvez, não se faça alardear pelo ruído das furadeiras e bate-estacas nos canteiros de obras. Uma revolução que ressoa em cada bairro, consolidando-se na sintonia entre as políticas públicas e os anseios da sociedade.
A palavra-chave é participação. Mais do que um conceito vago, a participação efetiva-se em ações como o Plano Plurianual Participativo, onde a população apontou, em assembléias nos bairros, quais deveriam ser as ações estratégicas da Prefeitura nos próximos anos.
Um passo ainda mais ousado começa a ser dado agora, com o Orçamento Participativo, onde os mais diversos setores da sociedade poderão definir as prioridades para a distribuição dos recursos.
Seguindo o mesmo princípio, ações pontuais como o projeto de urbanização do entorno da Lagoa do Porangabussu, no bairro Rodolfo Teófilo, consubstanciam o conceito de participação. Os moradores do local estão embasando as decisões dos técnicos que desenvolvem o projeto. Desta forma, a obra estará em consonância com as expectativas da comunidade.
Este é apenas um exemplo de como esta aclamada participação pode dessacralizar as decisões políticas e técnicas. Quando os principais interessados - aqueles que vivenciam diariamente os problemas de cada local - participam diretamente destas decisões, o sucesso da administração pública deixa de ser medido em toneladas de concreto para ter como termômetro o efetivo bem-estar dos cidadãos e cidadãs.

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